domingo, 20 de Setembro de 2009

Definição de Familia

O termo “família” é derivado do latim “famulus”, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também para a escravidão legalizada. Se nesta época predominava uma estrutura familiar patriarcal em que um vasto leque de pessoas se encontrava sob a autoridade do mesmo chefe, nos tempos medievais (Idade Média), as pessoas começaram a estar ligadas por vínculos matrimoniais, formando novas famílias.

Desde o tempo da Monarquia, a sociedade romana encontrava-se dividida em patrícios e plebeus. Os patrícios pertenciam à camada superior da sociedade, e os plebeus, à camada inferior. O que distinguia a ambos era a gens uma instituição análoga ao genos grego. Somente os patrícios pertenciam às gentes (plural de gens). Uma gens congregava os indivíduos que descendiam, pela linha masculina, de um antepassado comum. Portanto, a gens nada mais era do que família em sentido amplo. Em outras palavras, gens era o nome que os romanos davam àquilo que conhecemos como clã. E, como qualquer clã, a gens era composta de várias famílias individuais.
Uma gens distinguia-se de outra pelo nome: gens Lívia, gens Fábia, etc. e todos os seus membros traziam o nome da gens. O nome dos patrícios era composto de três elementos: o prenome, o nome gentílico, ou da gens, e o cognome ou designação especial, uma espécie de apelido. Exemplos: Lúcio Cornélio Sila, Caio Júlio César, etc. Quer dizer: Sila era membro da gens Cornélia, e César, da gens Júlia. Cada gens era chefiada por um pater (“pai”). Os membros das cúrias reuniam-se em assembléias denominadas comícios curiatos, que votavam as leis. Os chefes das gentes, os patres (plural de pater e palavra da qual se origina patrício), formavam o Senado, ou seja, o conselho superior que atuava com o rei na época da Monarquia e que se converteu, durante a República, no órgão dirigente supremo. A palavra senado deriva do latim senex, que significa “velho”. O Senado era, pois, um conselho de anciãos, uma instituição muito comum na Antiguidade. Seu equivalente, na Grécia, era a Gerúsia, em Esparta. Inicialmente composto de cem membros, o Senado passou a ter depois trezentos e, mais tarde, seiscentos membros.

Os que não pertenciam a nenhuma gens eram plebeus e, por esse motivo, estavam excluídos da vida política. Sem direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda classe. Mas, atenção, ser plebeu não significava ter uma condição econômica inferior ou de pobreza. Dessas novas famílias fazia também parte a descendência gerada que, assim, tinha duas famílias, a paterna e a materna. Com a Revolução Francesa surgiram os casamentos laicos no Ocidente e, com a Revolução Industrial, tornaram-se frequentes os movimentos migratórios para cidades maiores, construídas em redor dos complexos industriais. Estas mudanças demográficas originaram o estreitamento dos laços familiares e as pequenas famílias, num cenário similar ao que existe hoje em dia. As mulheres saem de casa, integrando a população activa, e a educação dos filhos é partilhada com as escolas. Os idosos deixam também de poder contar com o apoio directo dos familiares nos moldes pré-Revoluções Francesa e Industrial, sendo entregues aos cuidados de instituições de assistência. Na altura, a família era definida como um agregado doméstico composto por pessoas unidas por vínculos de aliança, consanguinidade ou outros laços sociais, podendo ser restrita ou alargada.

A família vem-se transformando através dos tempos, acompanhando as mudanças religiosas, económicas e sócio-culturais do contexto em que se encontram inseridas. Esta é um espaço sócio-cultural que deve ser continuamente renovado e reconstruído; o conceito de próximo encontra-se realizado mais que em outro espaço social qualquer, e deve ser visto como um espaço político de natureza criativa e inspiradora. A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimónio ou adopção. Nesse sentido o termo confunde-se com clã. Dentro de uma família existe sempre algum grau de parentesco Membros de uma família costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes directos. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações.
As famílias podem assumir uma estrutura nuclear ou conjugal, que consiste num homem, numa mulher e nos seus filhos, biológicos ou adoptados, habitando num ambiente familiar comum. A estrutura nuclear tem uma grande capacidade de adaptação, reformulando a sua constituição, quando necessário.

Existem também famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenómenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, ilegitimidade ou adopção de crianças por uma só pessoa.
A família ampliada ou consanguínea é outra estrutura, que consiste na família nuclear, mais os parentes directos ou colaterais, existindo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós, pais e netos.
Para além destas estruturas, existem também as denominadas de alternativas, sendo elas as famílias comunitárias e as famílias homossexuais. As famílias comunitárias, ao contrário dos sistemas familiares tradicionais, onde a total responsabilidade pela criação e educação das crianças se cinge aos pais e à escola, nestas famílias, o papel dos pais é descentralizado, sendo as crianças da responsabilidade de todos os membros adultos. Nas famílias homossexuais existe uma ligação conjugal ou marital, por contrato entre duas pessoas do mesmo sexo, que adoptaram crianças ou, um ou ambos os parceiros têm filhos biológicos de casamentos heterossexuais.
Quanto ao tipo de relações pessoais que se apresentam numa família, referimos três tipos de relação. São elas, a de aliança (casal), a de filiação (pais e filhos) e a de consanguinidade (irmãos). É nesta relação de parentesco, de pessoas que se vinculam pelo casamento e/ ou por uniões sexuais, que se geram os filhos.
O conceito de família, ao ser abordado, evoca obrigatoriamente, os conceitos de papéis e funções, como se têm vindo a verificar. Em todas as famílias, independentemente da sociedade, cada membro ocupa determinada posição ou tem determinado estatuto, como por exemplo, marido, mulher, filho ou irmão, sendo orientados por papéis.

As famílias como agregações sociais, ao longo dos tempos, assumem ou renunciam funções de protecção e socialização dos seus membros, como resposta às necessidades da sociedade pertencente. Nesta perspectiva, as funções da família regem-se por dois objectivos, sendo um de nível interno, como a protecção psicossocial dos membros, e o outro de nível externo, como a acomodação a uma cultura e sua transmissão. A família deve então, responder às mudanças externas e internas de modo a atender às novas circunstâncias sem, no entanto, perder a continuidade, proporcioA família tem também, um papel essencial para com a criança, que é o da afectividade, tal como já foi referido. A sua importância é primordial pois considera o alimento afectivo tão imprescindível, como os nutrientes orgânicos. Sem o afecto de um adulto, o ser humano enquanto criança não desenvolve a sua capacidade de confiar e de se relacionar com o outro.

Para o sociólogo francês Frédéric Le Play (1806-1882) a família ocupa o centro das preocupações e, conseqüentemente, é o vértice do seu "método social". Para Le Play, todas elas possuem uma característica primordial, inseparável da natureza humana: os indivíduos agrupam-se por "unidades sociais", ou seja, famílias - compostas ao menos de um pai, uma mãe e seus filhos. As formas de família podem apresentar-se bastante diversificadas, com graus diferentes de simplicidade e de complexidade. Todavia, alguns elementos constitutivos são indispensáveis para a garantia da estabilidade e da paz social.

Nas raças prósperas, o edifício social compreende sete elementos essenciais, agregados em três grupos. O primeiro grupo abrange dois fundamentos inseparáveis: o Decálogo, expressão da lei moral, que completa a natureza imperfeita do homem ao regular seu uso do livre-arbítrio; e a autoridade paterna, responsável pelo ensinamento da lei moral aos seus filhos e pela repressão das suas tendências inerentes ao mal. O segundo grupo contém os dois "cimentos" das raças: de um lado, a religião; de outro, a soberania, que complementa nas aglomerações de famílias a função da autoridade paterna. Finalmente, o terceiro grupo apresenta os três materiais constitutivos da propriedade da terra, da qual as sociedades retiram seus principais meios de subsistência: a comunidade, a propriedade individual e a patronagem.

O método desenvolvido por Le Play volta-se, portanto, para o estudo da família porque é nela que será encontrado o caminho para a recuperação do bem-estar, da paz e da prosperidade. Compreender a família é crucial, pois isto permitirá intervir sobre as causas do sofrimento e da corrupção. A reforma social, objetivo buscado por Le Play, deverá levar em conta que o bem-estar das famílias é o critério que permite verificar as boas constituições sociais. Daí a formulação do axioma: a vida privada imprime seu caráter à vida pública; a família é o princípio do Estado. Ora, esta é a descrição da família-estirpe que adiante será dada por ele:
"[...] estável em seu Domicílio18, aliando a Tradição e a Novidade. Os pais manteriam e casariam apenas poucos filhos que eles intitulariam ‘Herdeiros-associados. Os outros filhos que quisessem casar-se emigrariam isoladamente, providos de Dotes formados pela totalidade dos produtos economizados pela casa-estirpe" (457).

É esta a "utopia" de Le Play, o tipo de família que, segundo sua percepção, permitiria unir o ideal da família patriarcal (cuja existência só se poderia dar nas estepes) com as circunstâncias de uma Europa já muito povoada e infiltrada pelas transformações acumuladas desde a Idade Média. A família-estirpe é o testemunho de família estável que ele ainda encontra em algumas partes da Europa, em contraposição à família em crise ou desorganizada que já prevalecia na maior parte da porção ocidental do continente. Para ele, a reforma social deveria começar pelo resgate e valorização da família-estirpe; daí, dentre outras, sua luta, enquanto conselheiro e senador, pela reforma da lei de heranças igualitárias, instituída no rastro da Revolução de 1789.

A concepção de Talcott Parsons (1902-1979) sobre as funções da família nuclear faz parte de uma teoria geral da sociedade. A família nuclear combinaria com a sociedade industrial, na medida em que contrasta com a família anterior, onde a solidariedade do grupo de parentesco implicava em obrigações extensivas. Este novo modelo se caracterizaria pela perda de importância do parentesco extenso, independência econômica dos filhos (acarretando a conseqüente diminuição da autoridade paterna), aumento da participação da mulher no sistema produtivo, natalidade planejada e reduzida. As funções da família moderna se restringiriam à socialização da criança e estabilização das personalidades adultas.

Nos dias de hoje

O padrão fundamental para o desenvolvimento infantil é a sua própria família. Os pais transformam-se nas figuras imprescindíveis para a sua evolução e proporcionam o modelo mais importante para a sua educação.
A família, no entanto, sofreu grandes modificações ao longo das últimas décadas, variando os papéis familiares: os pais têm cada vez mais uma função mais ativa na criação dos filhos, as mães estão mais ausentes do lar pelos compromissos laborais, o número dos filhos é menor e o papel dos avós, quase sempre fora do domicílio familiar, adquire outra dimensão. Fruto de todas essas modificações, as relações entre pais e filhos tambem se modificaram e são colocadas muitas interrogações na tarefa diária da educação dos filhos.

Os primeiros anos de vida de uma criança decorrem no seio da família, onde as relações possuem uma grande intensidade emocional. O circuito familiar formado atualmente por poucas pessoas, implica a manutenção de vínculos muitos íntimos, entre os quais salientamos a relação afetiva que se estabelece entre um bebê e as pessoas que tratam dele. Desta relação nasce a possobilidade dos pais servirem de modelo desde os primeiros meses de vida e esse contato é crucial, uma vez que é nele que se estabelecem o futuro desenvolvimento afetivo e social e por último, a construção da personalidade.

Um dos maiores desejos dos pais é conhecer bem os filhos, partilhar com eles as suas preocupações, esperanças, desejos e conseguir que se estabeleça uma confiança mútua e um clima familiar que facilite o diálogo. Condição indispensável para que isto suceda é que exista uma boa comunicação e se possa falar, discutir e opinar sobre qualquer tema. Em muitas ocasiões, os pais limitam as conversas com os filhos aos aspectos que mais os preocupam e estes custumam ser a escola, as responsabilidades na casa e à medida que vão crescendo, as saídas e os amigos. Restringindo o diálogo a estes temas, as crianças sentem-se continuamente observadas e sentem a falta de um espaço para poder expressar o que realmente sentem e pensam. Para isso é necessário que criemos um ambiente receptivo e atitude positiva, devemos escutá-los e mostrarmos-nos respeitadores das suas opiniões, mesmo que não coincidentes.

Transformar-se em pais parece tarefa fácil, mas quando se toma a decisão de ter um filho, inicia-se uma nova etapa na vida do casal. O nascimento de uma criança põem à prova a maturidade psicológica de cada um dos membros do casal, bem como o equilibro do mesmo. A partilha dos receios e dúvidas é imprescindível entre o casal; reservar um tempo para o casal sem a presença da criança; planejar e organizar bem as atividades poupará muitos conflitos


Bibliografia

MINUCHIN, Salvador – Famílias: Funcionamento & Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. p. 25-69.
SARACENO, Chiara – Sociologia da Família, Lisboa: Estampa, 1997.
STANHOPE, Marcia – Teorias e Desenvolvimento Familiar. In STANHOPE, Marcia ; LANCASTER, Jeanette – Enfermagem Comunitária: Promoção de Saúde de Grupos, Famílias e Indivíduos. 1.ª ed. Lisboa : Lusociência, 1999. ISBN 972-8383-05-3. p. 492-514.
FREYRE, Gilberto - O mundo que o português criou: aspectos das relações sociais e de cultura do Brasil com Portugal e as colônias portuguesas. Lisboa: Livros do Brasil, s.d.
LE PLAY, Fréderic – A Organização da Família. Paris: 1871
PARSONS, Talcott – Teoria Sociológica e Sociedades Modernas. 1968.
MANTILLA, Lourdes; RENAU, Maria; MONTSERRAT, Moix; BAS, Joan – Como ser melhores pais. Circulo dos Leitores, S.A. 2002. p. 14-26.

7 comentários:

  1. Boa noite.

    Gostaria de citar esse texto no meu TCC... Seria possível me passar nome e sobrenome do responsável pelo texto para o email: carol_caputo8@hotmail.com

    Grata.

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  2. olá, boa noite.... também estou fazendo TCC e gostaria de citar um trecho dessa matéria publicada... vc poderia enviar para o meu e-mail..... ngnunes@hotmail.com

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  3. OLA,se fosse possivel tbem gostaria de saber o nome e sobrenome do autor desse texto, para publicação em minha monografia.
    obrigada
    tvilelan@hotmail.com

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  4. por favor, me manda as referencias desse artigo,pois pretendo citalo no meu tcc
    email: calazans_junior@hotmail.com

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  5. tambem gostaria das referencias desse artigo para citar no meu tcc.
    Obrigada

    email: pati_fb_@hotmail.com

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  6. Faço minhas as palavras das colegas acima.
    Agradeço.
    mairamasilvia@hotmail.com

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  7. por favor, também gostaria muito de citar trechos desse artigo no meu tcc, você poderia enviar para o meu e-mail as referências?
    e-mail: vandekka2009@hotmail.com

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